Juiz do interior de Sergipe é o terror dos bandidos; ele anda armado, com colete à prova de balas e escolta policial

Jornal de Sergipe

(Foto: Reprodução)
 
O juiz do município de Lagarto (SE), Marcel Maia Montalvão, responsável pela decisão que bloqueou o WhatsApp em todo o Brasil, é o terror dos bandidos na cidade.

Querido pelos moradores, Marcel chegou ao município em 2015 e travou uma guerra contra o tráfico de drogas na região. O juiz, que é conhecido na cidade como 'Sergio Moro de Lagarto', está sempre usando colete à prova de balas e acompanhado de escolta policial, além de andar armado por conta das ameaças que já sofreu.

Antes de atuar em Lagarto, o juiz trabalhou em Estância (SE) atendendo de furtos a homicídios. Em 2015, Montalvão decretou a prisão do ex-deputado estadual Raimundo Lima Vieira (PSL), envolvido em um escândalo de corrupção. O magistrado não atua apenas no escritório. Ele participa das operações policiais. "Vagabundo pensa duas vezes antes de cometer algum delito, porque sabe que vai ser punido com o rigor da lei", disse um funcionário da delegacia regional.

O juiz deu entrevista para o Portal Lagartense e falou sobre a sua missão na cidade: "Aqui estou à mercê de Deus e um dos predicados que todo magistrado deve ter é justamente o da coragem. Vim aqui para servir em nome de Deus e cumprir uma missão. E aqui cumprirei minha missão doa a quem doer".

Na mesma entrevista, Montalvão defendeu condições dignas para os presos e se disse favorável à redução da maioridade penal. Antes de se formar em direito, Marcel foi professor de Matemática por 20 anos. Em 2011, se formou em direito. Seu pai era engraxate.
O que motivou o bloqueio do WhatsApp
O silêncio dos administradores do aplicativo WhatsApp acabou travando um inquérito da Polícia Federal em Sergipe. De acordo com a Polícia Federal, os administradores do aplicativo negam fornecer informações solicitadas pelo judiciário por questões técnicas, mas a PF tem dados que identificam a viabilidade de se fornecer as informações solicitadas.

O objetivo é identificar os líderes do tráfico de uma suposta organização criminosa instalada no Sul do país, a partir do diálogo travado através do WhatsApp. As investigações estão sob segredo da justiça. De acordo com o desembargador de Sergipe, Cezário Siqueira Neto, o WhatsApp preferiu o caos a divulgar os dados.

O magistrado criticou o fato do WhatsApp não ter procurado as autoridades brasileiras para conversar sobre o acesso aos dados, mas deixou o “caos” acontecer para pressionar a Justiça. "Nunca se sensibilizou em enviar especialistas para discutir com o magistrado e com as autoridades policiais interessadas sobre a viabilidade ou não da execução da medida. Preferiu a inércia, quiçá para causar o caos, e, com isso, pressionar o Judiciário a concordar com a sua vontade em não se submeter à legislação brasileira”.

WhatsApp volta a funcionar
O desembargador do Tribunal de Justiça de Sergipe, Ricardo Múcio Santana de Abreu Lima, aceitou o pedido de reconsideração dos advogados do WhatsApp. O aplicativo voltou a funcionar na tarde desta terça-feira (03/05).