Governo cortará 4.000 cargos e deixará espaço para revisão da meta

Governo cortará 4.000 cargos e deixará espaço para revisão da meta

O Tempo

Romero Jucá confirmou corte de 4.000 cargos

No encontro com os ministros, Michel Temer pediu que eles supram, no máximo, até 75% das funções gratificadas e cargos comissionados

  Após a primeira reunião ministerial, a equipe do presidente interino Michel Temer sinalizou que o deficit previsto na meta fiscal deve ser ampliado, anunciou série de cortes em cargos e funções e intenção de fazer um pente-fino em empresas estatais.
Em entrevista à imprensa, o novo ministro do Planejamento, Romero Jucá, disse que a intenção é rever a estrutura organizacional e a meta é um corte de 4.000 postos de trabalho e a simplificações de 51 denominações de cargos públicos até o final deste ano.
No encontro, o presidente interino pediu aos novo ministros que supram no máximo até 75% das funções gratificadas e cargos comissionados. Em seu primeiro discurso, o peemedebista já havia antecipado que tinha encomendado estudos para eliminar posições avaliadas por ele como "desnecessárias".
"Em tese, fizemos uma reserva de espaço de 25% que depois será ajustado à necessidade de funcionamento. A meta fixada é de 4 mil postos", disse Jucá. "Todas as empresas e todos os bancos estão sujeitos a esse novo ordenamento de comando que é simples e direto: gastar menos nos com ele e mais com a atividade de fim", acrescentou.
Segundo o ministro, a meta fiscal enviada ao Congresso pelo governo Dilma Rousseff não prevê a queda de arrecadação, renegociação de dívidas estaduais e restos a pagar, o que deverá ser corrigido pelo governo interino.
Eles não pretendem mudar o valor enviado pela gestão petista, mas vão inserir emendas que possibilitem a atualização do número nos próximos meses.
"Nós teremos certamente um déficit fiscal superior aos R$ 96 bilhões que estão no projeto do Congresso Nacional. O deficit é maior que esse número reconhecido pelo governo federal e isso deve ser fruto de discussão do projeto nacional", disse o novo ministro da Saúde, Ricardo Barros.
Segundo o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, a máquina pública está em uma "situação emergencial" e há um deficit em torno de R$ 100 bilhões não contabilizado na proposta de meta fiscal.
"Em tempo de bonança, é feita uma previsão. Agora, precisamos ter medidas que correspondam. O partido que estivesse hoje no governo teria que adotar essas medidas para ter, até o fim do ano, condição de pagar salários", disse.
Na reunião, Temer ordenou ainda que os retratos oficiais da presidente afastada Dilma Rousseff não sejam retirados de nenhum recinto da administração publica federal. A Folha de S.Paulo flagrou que, menos de 24 horas desde a saída da petista, servidores do governo interino já tinham retirado as fotos de salas e gabinetes.
"Ele entende que esse governo é transitório", ressaltou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.