Em gravação Jucá sugere pacto para deter avanço da Lava Jato

Advogado de Romero Jucá disse que seu cliente 'jamais pensaria em fazer qualquer interferência' na Lava Jato

Folha de São Paulo

Romero Jucá é o atual ministro do Planejamento (Fonte: Reprodução/Agência Brasil)
Uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo revelou que, em diálogos gravados em março de 2015, o atual ministro do Planejamento, o senador licenciado Romero Jucá (PMDB-RR), sugeriu ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma “mudança” no governo federal teria como resultado um pacto para “estancar a sangria” representada pela Operação Lava Jato, que investiga ambos.
A conversa, que dura 1:15h e está nas mãos da Procuradoria-Geral da República, foi gravada semanas antes da votação no plenário da Câmara dos Deputados do pedido de abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Em declaração à Folha, o advogado de Romero Jucá, Kakay, disse que seu cliente “jamais pensaria em fazer qualquer interferência” na Lava Jato. Ainda de acordo com o advogado, os diálogos gravados não contêm ilegalidades.
Em um dos trechos da gravação, Sérgio Machado diz a Jucá que “o Janot está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho. […] Ele acha que eu sou o caixa de vocês”. Machado fez uma ameaça velada e pediu que fosse montada uma “estrutura” para protegê-lo. Ele ressaltou que as novas delações premiadas não deixariam “pedra sobre pedra”.
O ex-presidente da Transpetro procurou líderes do PMDB para tentar evitar que as apurações contra ele fossem transferidas de Brasília para Curitiba, na vara do juiz Sérgio Moro.
Na gravação, Jucá concordou que o caso de Machado “não poderia ficar na mão desse [Moro]”, ressaltando que para isso seria necessária uma resposta política. “Sé é político, como é a política? Tem que resolver essa p… Tem que mudar o governo para estancar essa sangria”, afirmou Jucá na ocasião, que também concordou que era preciso “articular uma ação política”.
Jucá, que é um dos articuladores do impeachment de Dilma, orientou Machado a se reunir com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e com o ex-presidente José Sarney.
Ainda de acordo com Romero Jucá, um eventual governo Temer deveria construir um pacto nacional “com o Supremo, com tudo”. O senador também disse que manteve conversas “com ministros do Supremo”, sem citar nomes, e que eles teriam relacionado a saída de Dilma ao fim das pressões da imprensa e de outros setores pelo seguimento da Lava Jato.
Machado presidiu a Transpetro entre 2003 e 2014. Ele é alvo de inquérito no STF. Delatores relacionaram Machado a um esquema de pagamentos, que teria Renan “remotamente, como destinatário” dos valores. Já Jucá é alvo de um inquérito no STF derivado da Lava Jato por suposto recebimento de propina.