Hoje em Dia
A conta de luz dos clientes da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) vai subir de novo no próximo dia 28 de maio. Dessa vez, o aumento médio deverá ser de 4,17%.
Depois de escalar quase 50% em 2015, a alta para as residências deverá ficar em 2,74%, enquanto os consumidores de média tensão (comerciais) deverão amargar alta 4,45% na tarifa.
As indústrias, que encerraram 2015 com queda de quase 17% no faturamento, sofrerão ainda mais. A elevação deverá ficar em 4,95%. Os índices foram calculados pela TR Soluções com exclusividade para o Hoje em Dia.
Impactos
O aumento pegou de surpresa o proprietário das padarias Vianney, no Funcionário, e Boníssima, no Vila da Serra e Gutierrez, Pedro Moraes. As três unidades da rede somam, em média, R$ 120 mil em gastos com energia elétrica. Com o aumento para consumidores de média tensão, a previsão é a de o custo mensal suba cerca de R$ 6 mil

“O cenário econômico nunca esteve tão ruim. Repassar a alta para o produto é impossível”, diz Moraes. O jeito será absorver o aumento. Dos 600 empregados da empresa, 100 foram demitidos neste ano. E as vendas já caíram 8% em valores nominais, sem contar a inflação.
Na agenda
O aumento faz parte do reajuste anual da Cemig. Trata-se de um encontro de contas do que a concessionária previu de custos no ano passado e do que foi concretizado. Anteriormente, o reajuste era realizado em 8 de abril. Com a renovação dos contratos de distribuição, no início do ano, a data foi alterada.

O diretor de Finanças e Relações com os Investidores da Cemig, Fabiano Maia, disse, no entanto, que não é possível afirmar se a tarifa será aumentada ou até mesmo reduzida, como cogitado várias vezes por representantes da companhia mineira no ano passado.
A afirmação do executivo foi feita durante apresentação dos resultados da estatal, ontem, na sede da Cemig. No primeiro trimestre do ano, a holding registrou queda de 99,7% no lucro líquido, que passou de R$ 1,5 bilhão no primeiro trimestre de 2015 para R$ 5 milhões nos primeiros três meses deste ano.
Empresas à venda
O dólar valorizado e o anúncio de que a Cemig está se desfazendo das empresas que não fazem parte do negócio principal da estatal, abriu o apetite das energéticas e fundos de pensões internacionais. Empresas chinesas, japonesas, do oriente médio, entre outras, têm sondado a concessionária.

A previsão de Fabiano Maia é a de que nos próximos três anos a companhia esteja totalmente focada em distribuição, transmissão, geração e comercialização de energia. O objetivo é vender ativos para reduzir dívida e alavancagem. Com o foco, a Cemig deixaria de investir em companhias de telecomunicações e gás, por exemplo.
Segundo o superintendente de Relações com Investidores da estatal, Antonio Velez, a Cemig está aberta para negociar com empresas de todas as nacionalidades e perfis. “Se for para uma vender uma parte minoritária de uma empresa na qual continuaremos como sócios, vamos analisar o perfil dos interessados. Caso contrário, não”, diz Velez.