Após 25 anos instalada em ponto tradicional, Leitura da Savassi fecha as portas

Hoje em Dia

LEITURA – Produtos estão sendo vendidos com descontos de 30% para acabar com o estoque
 
Depois de 25 anos instalada em um dos pontos mais tradicionais da Savassi, a Leitura da Cristóvão Colombo vai fechar as portas no início de junho. Outras três lojas da rede terão as atividades encerradas em 2016. Em contrapartida, nove unidades serão abertas ainda neste ano, mediante investimentos que chegam a R$ 2 milhões por livraria.
O aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, vai receber três lojas da rede, presente em 18 estados, em maio. Segundo o sócio da Leitura, Marcus Teles, a empresa, que iniciou o ano com 62 livrarias, vai terminar com pelo menos 67.
“É inegável que passamos por um ano de crise. Porém, sabemos que esse momento ruim uma hora vai acabar. Por isso, não paramos de investir”, ressalta Teles.
Em 2016, ele prevê que o faturamento da rede fique abaixo da inflação, a exemplo do que aconteceu no ano passado. “As lojas que já existiam encerraram 2015 com 2,5% de aumento contra o ano anterior, enquanto a inflação foi de 10%”, diz.
Estratégia
Fechar a unidade da Savassi, de acordo com ele, foi uma decisão estratégica. Além do cenário econômico ruim, a loja, de 150 metros quadrados, está a menos de 200 metros do Pátio Savassi, onde uma unidade de 1 mil metros quadrados e três pavimentos está localizada. A redução nas vagas de estacionamento rotativo na Savassi, reflexo das obras de melhoria realizadas pela prefeitura de 2011, também tiveram impacto, afirma o empresário.

“A unidade da Cristóvão Colombo apresenta resultados inferiores às demais lojas há cerca de cinco anos. O layout também é muito diferente. Teríamos que fazer uma grande reforma para adequá-la e mudar mobiliário”, destaca.
Teles está passando o ponto, formado por duas lojas. O aluguel, de acordo com ele, gira entre R$ 8 e R$ 9 mil por loja. Já há interessados, mas nada concreto ainda.
Promoções
Para liberar o espaço, o setor de quadrinhos será enviado à Leitura do Pátio Savassi. O restante do estoque está com descontos de 30%. Conforme afirma o empresário, o ganho médio das papelarias é de 40%.
Na época de entregar o ponto, os produtos remanescentes serão vendidos abaixo do custo. “Vamos dar descontos de até 50% se sobrar alguma coisa”, adianta.
Os casos mais recentes e emblemáticos de falecimento do comércio na Savassi são as  livrarias Travessa, Mineiriana e Status, além da Maria’s Cerzideira e de  uma pizzaria e um espetinho no quarteirão fechado da Pernambuco

Papelaria Brasilusa da rua Pernambuco está com dias contados
Em tempos de crise, reduzir custos é palavra de ordem do comércio. A exemplo da Leitura, a Brasilusa, papelaria com duas unidades na Savassi, optou por permanecer com apenas um ponto na região. A ampla loja da Pernambuco, na esquina com Tomé de Souza, está com os dias contados. O proprietário da rede, Marco Antônio Gaspar, afirma que estuda abrir outro negócio no lugar. Mas falta ‘peito’. “A crise está muito forte”, lamenta.
Ao longo dos últimos cinco anos, mais de 160 lojas fecharam as portas na Savassi, conforme ressalta Gaspar, que é vice-presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH).
Histórico
Em 2011, durante revitalização da Praça Diogo de Vasconcelos, cerca de 80 comerciantes não conseguiram manter o faturamento e acabaram deixando o ponto. Após o término das obras, em maio de 2012, outros 80 desistiram da região, ressalta o representante da CDL-BH.
Em 2013, as manifestações contra a Copa e o fechamento do varejo para a Copa das Confederações somaram-se ao clima ruim da região. Em 2014, os jogos da Copa acentuaram o problema, intensificado em 2015 e 2016 pela crise econômica.
“Muita gente ia à Savassi para fazer pequenas compras. Depois, ficou caro estacionar e difícil acessar por causa das obras e manifestações. As pessoas acabam indo a outro lugar”, critica. O valor do aluguel também é citado como motivo para que as empresas acabem migrando para outros bairros.